Se o stress está a prejudicar o seu desempenho no trabalho e a comprometer os seus relacionamentos, alterar a sua maneira de o encarar pode transformá-lo num aliado, usando-o para melhorar a agilidade mental e o desempenho profissional.
Um artigo no Journal of Experimental Psychology demonstrou a existência de benefícios psicológicos e cognitivos que resultam de pensar o stress como “funcional e adaptativo”, e não como um sinal de “ameaça”.
Transformar o stress numa vantagem não é tarefa fácil. Exige disciplina mental para parar quando se sente atolado nele e para o reformular de maneira potencialmente útil. Há muitas maneiras de o fazer, e o método tem de ser personalizado para a situação única de cada um.
Eis três métodos para reavaliar o seu stress e usá-lo na realização de mudanças positivas:
Reinterpretar relações essenciais. Um CEO de terceira geração de uma empresa familiar, sofria de stress severo, pois a sua equipa executiva (constituída por familiares mais velhos), criticava todas as suas decisões acerca da gestão da empresa. Sentindo-se na defensiva, afastou-se de tarefas essenciais para um CEO, como fazer o planeamento estratégico e garantir uma linha de crédito para manter a empresa à tona de água. O coaching centrou-se na interpretação do seu stress como um sinal para redefinir as suas relações com os membros da família, cujo apoio seria essencial para a sobrevivência do negócio. Ajudou-o a adquirir o poder de pensar nos membros da família como repositórios de sabedoria, pessoas cujos interesses estavam alinhados com os seus. À medida que repensava essas relações, as reuniões executivas mensais deixaram de ser um campo de batalha para se tornarem numa sessão colaborativa de brainstorming quanto às oportunidades da empresa. Com este novo foco, o CEO utilizou o conhecimento e motivação da equipa para fazer crescer a empresa. Não só se sentiu mais calmo e feliz, como conseguiu, quatro meses depois, assegurar a linha de crédito e dar início a discussões críticas com potenciais investidores externos. Ao reavaliar o seu stress como uma mensagem amigável para “curar” relacionamentos valiosos, protegeu a empresa e reposicionou-a para o crescimento.
Desenvolva capacidades de liderança estratégica. Um advogado recentemente promovido a conselheiro geral da sua empresa de biotecnologia, uma posição em que devia, ao mesmo tempo, supervisionar o departamento legal e funcionar como parceiro estratégico dos gestores de topo. Sentia-se esmagado pelas pressões dos dois papéis e necessitava de delegar tarefas a outros advogados. A situação piorou enquanto ele fazia a microgestão do seu trabalho e ficava atolado em tarefas insignificantes. Esforçámo-nos por reformular o seu stress como um sinal de que ele devia avançar para além da sua zona de conforto e abraçar as novas responsabilidades enquanto parceiro estratégico da equipa executiva. Com esta reavaliação, começou a confiar mais nas capacidades de tomada de decisão da sua equipa jurídica, a encontrar-se mais frequentemente com parceiros fundamentais dentro e fora da empresa e a assumir papéis de liderança que o poderiam posicionar mais como um líder visionário que como uma abelha obreira. Ao fazê-lo, o stress evaporou-se e ele levou a equipa executiva a dar um passo mais arrojado no sentido de expandir o negócio para um complexo mas potencialmente lucrativo mercado externo.
Peça desculpa e exprima gratidão. Uma Diretora de operações de uma companhia de seguros, sofria de um intenso stress no contexto de uma crise profissional. Durante um evento recente da empresa, consumira demasiado álcool e fizera comentários rudes e sonoros aos colegas, o que a deixara numa situação embaraçosa. O seu comportamento tornara-se tão indomável que acabara por ser metida num táxi e enviada para casa. Ficou aterrorizada com a ideia de perder o emprego. Parte do coaching concentrou-se na maneira de comunicar com o CEO e a equipa executiva na sequência desta argolada. Surpreendeu-me ela dizer que planeava, numa reunião próxima com o CEO, queixar-se de que o seu bónus de final de ano era inferior ao que merecia, com base nas métricas de desempenho. Percebi então que a minha responsabilidade era, com todo o respeito, fazer-lhe notar que esta abordagem era mal concebida e potencialmente destrutiva. Depois de lhe dar a perceber que o seu stress atual podia ser um sinal de que ainda se sentia desconfortável com a situação, tivemos um diálogo produtivo sobre estratégias alternativas. Ela acabou por concluir que seria mais prudente não pedir um bónus mais elevado e, em vez disso, pedir desculpa pelo seu comportamento no evento e agradecer o facto de ainda ter emprego. Esta decisão reduziu imediatamente o seu nível de stress e resultou bem com o CEO e a equipa de gestão. Conservou o seu cargo e continua a reparar a sua reputação como uma líder de confiança.
Fonte: Artigo de David Brendel, coacher de executivos e psiquiatra em Boston.

